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Música e Utilitarismo Pedagógico

Se você é professor da Educação Básica, sabe que a "hora da música" muitas vezes é vista pela gestão (e por alguns pais) como o momento em que a gente liga o rádio para as crianças "gastarem energia" ou, pior, como trilha sonora para a hora do lanche. Mas, se a gente parar de usar a música apenas como "ruído de fundo", o que sobra?

Recentemente, mergulhei no artigo "Vivência das emoções na Educação Musical na infância", das pesquisadoras Oliveira e Pederiva (2026), e ele me deu um tapa de realidade pedagógica que todo "Professor Raiz" precisa sentir.



"Essa música é preguiçosa!"


No artigo, as autoras narram um episódio maravilhoso: ao ouvirem a canção "A Cachorrinha", uma criança de 6 anos sentenciou: "Essa música é preguiçosa!".

Para o leigo, é só uma frase engraçadinha. Para seguidores de Vygotsky, isso é a prova viva da Teoria Histórico-Cultural. A criança não está apenas ouvindo notas; ela está atribuindo um sentido pessoal à música baseado em suas vivências. Ela não é um balde vazio esperando ser preenchido por "Dó-Ré-Mi"; ela é um sujeito ativo que sente a música antes mesmo de entendê-la tecnicamente.



A Unidade Afeto-Intelecto (Ou: Por que o "sentir" vem antes do "saber")


A gente tem essa mania herdada de uma educação tradicional de achar que primeiro a criança aprende a nota, depois o ritmo e, lá no final, se sobrar tempo, ela "sente" a música.

Oliveira e Pederiva nos lembram que, na infância, afeto e intelecto são uma coisa só. Quando você pergunta para um aluno "o que você sentiu?" em vez de "qual instrumento tocou?", você está validando a vivência estética dele. É a partir desse sentimento que o conhecimento musical se torna real, e não apenas uma decoreba de nomes de compositores mortos.



Chega de música como "tapa-buraco"


O artigo faz uma crítica necessária: a música na escola não pode ser apenas funcional (música para lavar as mãos, música para guardar o brinquedo, música para não ouvir o grito do colega).

Quando reduzimos a música a um utilitarismo pedagógico, matamos a capacidade da criança de se emocionar e de criar. Música é linguagem, é expressão de consciência. Se ela serve apenas para sinalizar que o recreio acabou, estamos perdendo a chance de desenvolver a imaginação e a percepção desses pequenos.



Dica Prática: O Experimento do "Clima Musical"


Que tal testar algo amanhã? Escolha uma música clássica ou instrumental e peça para a turma desenhar o que estão ouvindo. Mas aqui está o segredo: mude a velocidade ou o volume no meio.

  • Se a música ficar rápida e forte, o desenho muda?

  • O "monstro" da música vira um "coelhinho" se a gente tocar baixinho?

Isso é ensinar timbre, intensidade e duração através da emoção. É transformar a teoria densa em giz de cera e som.



Fonte: OLIVEIRA, C. de; PEDERIVA, P. L. M. Vivência das emoções na Educação Musical na infância. Revista Música na Educação Básica, 2026.

 

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